Fotos : ASPAFF EM AÇÃO

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Área de relevante importância ambiental e social pode se transformar em reminiscência


Infelizmente, o abandono, a irresponsabilidade e o crime ambiental são as únicas coisas que predominam atualmente quando se refere à Lagoa de Antonio Teixeira Sobrinho, em Jacobina. Vítima há anos da ação devastadora e irracional 'de certos' homens, o lago agoniza em estado quase terminal.

Um dos mais bonitos ambientes ecológicos da região, a lagoa que já chegou a ter cerca de 6 quilômetros de extensão, era local propício para a pesca amadora de tilápias e traíras, responsáveis pelo sustento alimentar e econômico de moradores das proximidades. Foi também, por muitos anos, um dos principais pontos turísticos do município.

A “Prainha do Índio”, como ficou conhecida uma área que dava acesso à lagoa após a colocação de centenas de caçambas de areia removida da região do bairro da Bananeira, se tornou local bastante visitado por pessoas que buscavam uma forma de lazer próximo ao centro da cidade (cerca de 5 quilômetros, a partir da BA 130). Na época da sua implantação, a prainha foi bastante criticada, já que ação do então prefeito Carlos Daltro, ‘Doutor Carlito’, foi considerada autoritária, sem a preocupação com a realização de um estudo ambiental necessário. Naquele momento foi construída também uma contenção, uma espécie de mini barragem, para acumular água e o desvio do rio Itapicuruzinho que antes desembocava na lagoa e passou a ser afluente do rio do Ramo.

A denúncia de um surto de esquistossomose, conhecido também como ‘xistosa’, doença causada por um parasita denominado Schistosoma mansoni, que se hospeda em caramujos, afugentou os frequentadores do local.

De lá pra cá os problemas só fizeram aumentar. A pesca predatória, a retirada de areia ilegalmente das suas margens e o seu assoreamento está tornando o que um dia foi belo, um dos principais patrimônios ambientais da região, com uma fauna e flora riquíssima, em mais uma reminiscência da cidade. 

O secretário de Meio Ambiente da Prefeitura de Jacobina, Ivan Aquino, reconhece os problemas da Lagoa de Antonio Teixeira Sobrinho, mas assegura que já estão sendo tomadas providências para a revitalização do local. Segundo o secretário, um trabalho de revitalização chegou a ser iniciado, mas por conta de uma determinação do Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos) e do período chuvoso, as atividades foram abortadas.

“Estamos em fase de negociação com o Inema para retornamos os trabalhos de revitalização. Temos um projeto para transformar a Lagoa de Antonio Sobrinho em um complexo de esporte e lazer”, anunciou Ivan, informando que o retorno das águas do rio Itapicuruzinho e o reforço da atual contenção fazem parte também do projeto, assim como a elaboração de um plano de gestão envolvendo o poder público e moradores das áreas que a margeiam.

Texto e foto: Gervásio Lima

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